Tratamento Psicológico e saúde mental

A hemofilia impacta também a saúde mental e não apenas a saúde física. Como o impacto físico da hemofilia acaba se sobressaindo, pessoas com hemofilia podem estar lidando com efeitos psicológicos sem ter consciência da necessidade do tratamento psicológico. Essas questões devem ser abordadas para melhorar a qualidade de vida daqueles que convivem com a coagulopatia.

O psicólogo é um dos profissionais que compõem a equipe multiprofissional em um Centro de Tratamento de Hemofilia (CTH). Sua atuação é essencial para incentivar e capacitar as pessoas com coagulopatias a tomarem decisões bem fundamentadas sobre suas necessidades de cuidados de saúde e para acessar e fazer uso dos serviços e programas que podem lhe ajudar. A missão do psicólogo é apoiar as pessoas com coagulopatias, incentivando-as a se tornarem membros ativos da equipe de saúde, garantindo que suas preocupações sejam ouvidas e respondidas de maneira adequada.

No trabalho multiprofissional também cabe ao psicólogo oferecer aos demais profissionais da equipe um entendimento mais aprofundado sobre as necessidades emocionais de cada paciente, pois ele estuda e compreende não apenas os atos e reações observáveis, mas também os sentimentos, as emoções e as representações mentais que não podem ser diretamente identificadas.

Uma das formas de atuação deste profissional é a psicoeducação. Através deste tipo de intervenção, o psicólogo esclarece ao paciente sobre todas as questões que envolvem o manejo dos sintomas e do tratamento da hemofilia, fortalecendo as funções do ego de modo que a aceitação da patologia e das circunstâncias que a envolvem ocorra de maneira mais adaptada e saudável. E também que a convivência com a mesma deixe de ser uma experiência dolorosa, para se tornar uma experiência de superação.

É um processo educativo que leva em conta os sentimentos, pensamentos, lembranças e outras representações mentais que são trabalhadas de modo a auxiliá-lo na compreensão e aceitação de sua condição, motivando-o a ser um participante ativo de seu próprio tratamento e das tomadas de decisões.

A psicoeducação é um recurso que favorece a adaptação adequada, tanto do paciente, quanto dos cuidadores e familiares, promovendo informação, bem-estar e qualidade de vida a todos.

Outro tipo de intervenção que o psicólogo pode utilizar é a psicoterapia breve, que é realizada individualmente, com pessoas em qualquer faixa etária. É um processo que pode ter duração entre 3 e 12 meses, com sessões semanais, cujos objetivos a serem alcançados são definidos entre psicoterapeuta e paciente, em comum acordo, no início do processo.

Este recurso também pode ser estendido a algum membro da família, como mãe, pai, cônjuge ou outro que apresente dificuldades em relação à coagulopatia. O objetivo da  psicoterapia breve é, além de oferecer informações corretas e desmistificadas sobre o tratamento, trabalhar medos, fantasias e sentimentos que dificultam a aceitação da condição genética e promover o autoconhecimento, favorecendo a aceitação e facilitando o caminho para que a pessoa encontre uma forma saudável de conviver com a sua condição.

Em situações em que o psicólogo não está presente na equipe do Centro de Tratamento de Hemofilia, é recomendável buscar encaminhamento para um profissional com conhecimento específico em coagulopatias. Alternativamente, o psicólogo encaminhado pode receber orientação e manter contato contínuo com os profissionais do CTH para garantir uma abordagem integrada e eficaz. Essa colaboração multidisciplinar é essencial para promover não apenas a saúde física, mas também o bem-estar mental e emocional dos indivíduos afetados pela hemofilia.

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