DivulgHEMOS – NEWSLETTER 1

Data: 06/07/2025

Prezado(a) Profissional de Saúde,

Este material foi elaborado no âmbito do projeto DivulgHEMOs, uma iniciativa conjunta da Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia – ABRAPHEM e da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. 

O projeto tem como propósito promover a disseminação de informações atualizadas, acessíveis e de relevância prática sobre a hemofilia, contribuindo para a qualificação do atendimento prestado por profissionais de saúde. 

A partir de hoje, você receberá uma série de Boletins Informativos, abordando os principais temas relativos ao cuidado e manejo adequado das pessoas com hemofilia. Para dúvidas, entre em contato conosco pelo https://abraphem.org.br/ouvidoria/  

Sinta-se à vontade para compartilhar este material com os profissionais de saúde que possam se beneficiar deste conteúdo. Aproveite a leitura! 

Suspeita e diagnóstico da Hemofilia

A hemofilia é uma doença rara, associada a sangramentos que podem levar a complicações graves. Por isso, o reconhecimento precoce é essencial.

Quando suspeitar de hemofilia:

Em quase dois terços dos casos, a suspeita da  hemofilia pode ser suspeitada devido à existência de outros casos na família. No entanto, por volta de um terço não tem história familiar. A suspeita da doença ocorre de forma semelhante em ambas as situações: indivíduos com histórico de sangramentos espontâneos ou sangramentos prolongados após procedimentos cirúrgicos, extrações dentárias ou pequenos traumas. Hematomas e hemartroses (sangramentos intrarticulares seguidos de dor) também são sintomas importantes, especialmente em crianças pequenas que estão começando a engatinhar ou andar. A doença pode ser confundida com politraumatismos ou até mesmo maus tratos, mas as alterações do coagulograma principalmente aumentam a possibilidade de se suspeitar do diagnóstico de uma doença de má coagulação.

Apresentação clínica:

A gravidade da hemofilia está relacionada com a atividade residual dos fatores de coagulação no plasma. Pessoas com hemofilia leve apresentam atividades entre 0,06 a 0,40 UI/mL. A forma leve pode ser assintomática, mas sangramentos podem acontecer após traumas ou cirurgias. Raramente podem ocorrer sangramentos espontâneos. A forma moderada se caracteriza por atividades entre 0,01 a 0,05 UI/mL. Clinicamente, ocorrem sangramentos após traumas, cirurgias ou procedimentos dentários pequenos. A apresentação desses casos depende se a atividade de fator está mais próxima dda hemofilia leve ou da hemofilia grave. Pessoas com hemofilia grave possuem atividade de fatores de coagulação menores que 0,01 UI/mL, o que, ná prática, significa zero. Os sangramentos aparecem em idades menores, normalmente no primeiro ano de vida. Sangramentos espontâneos são comuns, principalmente em articulações (hemartrose) e músculos. Sangramentos graves podem ocorrer, como no sistema nervoso central, na cavidade retroperitoneal e no trato gastrointestinal. (ACHARYA, 2016). 


Diagnóstico laboratorial da hemofilia
A suspeita da doença envolve os sangramentos em suas diversas formas e um coagulograma alterado. Os testes de triagem para hemofilia incluem o tempo de tromboplastina parcialmente ativada (TTPa), o tempo de protrombina (TP) e a contagem de plaquetas. Na hemofilia, apenas o primeiro se encontra alterado. A partir daí, é importante que toda a condução do diagnóstico seja feita em um centro especializado, com laboratório de coagulação que adote padrões internacionais de qualidade. (Brasil, Ministério da Saúde, 2016). Para confirmar o diagnóstico, realiza-se a determinação da atividade dos fatores VIII (hemofilia A) e IX (hemofilia B). O ensaio de coagulométrico em uma etapa é geralmente mais utilizado, mas que pode ter variações conforme o reagente e a terapia utilizada. O ensaio cromogênico, por sua vez, é considerado o padrão ouro para hemofilia A, pois apresenta maior precisão e menor interferência de anticoagulantes, embora seja menos acessível. (Brasil, Ministério da Saúde, 2016).

Considerações finais:

O diagnóstico precoce da hemofilia, aliado ao conhecimento clínico e laboratorial, é fundamental para garantir um manejo adequado e evitar complicações graves. Este material busca contribuir com a formação continuada de profissionais da saúde, promovendo um cuidado mais qualificado e humano às pessoas com coagulopatias hereditárias. A ABRAPHEM e a UFMG reforçam seu compromisso com a educação em saúde e o fortalecimento da rede de atenção a esses pacientes.

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Mariana Battazza Dr Ricardo
Presidente da ABRAPHEM Professor Adjunto de Clínica médica da Faculdade de Medicina UFMG


REFERÊNCIAS:

1. ACHARYA, Suchitra S. Advances in Hemophilia and the Role of Current and Emerging Prophylaxis. The American Journal of Managed Care, v. 22, ed. 5, 2016.

2. SRIVASTAVA, Alok et al. WFH guidelines for the management of hemophilia. Haemophilia, v. 26, p. 1-158, 2020. 

3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática.      Manual de diagnóstico laboratorial das Coagulopatias Hereditárias e Plaquetopatias [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada e Temática. – Brasília: Ministério da Saúde, 2016. 140 p. : il.

4. BLANCHETTE, Victor S.; SRIVASTAVA, Alok. Definitions in hemophilia: resolved and unresolved issues. In: Seminars in thrombosis and hemostasis. Thieme Medical Publishers, 2015. 

5.  Brasil.  Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Manual de hemofilia / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada e Temática. – 2. ed., 1. reimpr. – Brasília: Ministério da Saúde, 2015. 80 p. : il.  

06. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Manual de diagnóstico e tratamento de inibidor em pacientes com hemofilia congênita [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde,